segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Somos um povo de merda.


Somos um povo de merda.
Desculpem os mais sensíveis a rudeza do título, mas não há outro possível.
A história nos mostra que a afirmação é verdadeira. Somos um povo de merda que aceita tudo passivamente, que não se informa, que não estuda já que ser descolado é mais importante. Temos ídolos mais ignorantes que uma porta, aplaudimos “youtubers” racistas, homofóbicos, grosseiros, que convencem a nós e a nossos filhos que consumir isso ou aquilo é fundamental. Em verdade nem de nossos filhos cuidamos pois os entregamos aos aparelhos eletrônicos e, quando nos damos conta da merda que fizemos com a educação deles, culpamos os professores, as escolas, tudo e a todos mas não a nós mesmos. Acreditamos fielmente no que nos diz a televisão, e olha que temos uma rede mundial de computadores onde poderíamos, se nos interessasse, buscar a verdade. Mas claro que não pois todo o imbecil tem certeza de tudo, e assim somos.
Permitimos que canalhas nos digam que a ditadura militar foi boa, que “matou vagabundo”, que “direitos humanos é coisa de bandido”, ou seja, somos burros e criminosos, pois defender a morte de inocentes como fizeram as ditaduras mais hediondas (as das américas) é no mínimo um crime de lesa humanidade. Façam uma experiência, perguntem a quem alardeia imbecilidade sobre Direitos Humanos qual dos direitos elencados como tal ele conhece, mas se prepare, pois, a resposta será ainda pior ou, então, tua pergunta será seguida por um profundo silêncio.
Somo tão canalhas, estúpidos, imbecis que temos funcionários públicos pedindo Estado Mínimo, gente que tomou um pé na bunda com as privatizações da era FHC exaltando as excrecências dos seguidores desta anta (com total respeito às antas, obviamente).
Umberto Eco disse que as redes sociais nos deram uma imensidão de idiotas, e nisso, não tenham dúvida, estamos em primeiro lugar. Para comprovar isto basta passar uma tarde ouvindo, e não lendo nas redes sociais. Ouvindo por que aí se comprova que as pessoas realmente pensam aquilo que escrevem nas redes. Mas se preparem para que uma imensa vergonha de fazer parte da humanidade comece a apossar-se de ti. Mas preciso discordar do escritor de O Nome da Rosa, pois não foram as redes sociais. Os idiotas, os ignorantes por opção, os racistas, os canalhas, já estavam aí. Lembram do Collor no debate contra o Lula, onde ele mostrou uma pilha de folhas em branco dizendo serem provas que apresentaria? Fake (como dizem os jovens) orquestrado por um grande diretor midiático que confessou anos depois.
Nunca fomos um povo acolhedor, nunca fomos gaúchos politizados. Constrói-se a imagem que se quer e passa-se a acreditar nesta construção, por mais inverossímil que possa ser. A imagem nos passa a ser repetida constantemente para que acreditemos nesta construção. Escola, mídia, governos, religiões (salvo raras exceções) se sucedem na árdua tarefa de manter a população imersa em uma realidade irreal.
Um povo acolhedor não varreria para debaixo do tapete, por anos, ter nascido do estupro de mulheres indígenas e negras. Um povo acolhedor não faria festas em charqueadas (campos de concentração do período mais cruel da história do país). Um povo acolhedor não apagaria a história desses mesmos povos que forma massacrados em nome de uma superioridade inexistente, em nome do lucro e do luxo fabuloso.
Um gaúcho politizado não negaria que a tão comemorada revolução farroupilha, em verdade, tinha o intuito de desonerar estancieiros, donos das mesmas charqueadas que matavam da forma mais cruel a inúmeras pessoas consideradas animália por seus “donos”. Um gaúcho politizado, ainda que cultivasse suas “tradições”, teria a consciência de que tais eram os costumes da elite gaúcha, e não daquele que trabalhava no campo. Em sendo politizado saberia que as frentes de batalha sempre foram povoadas por escravos e peões, não pelos generais, que viraram nomes de ruas e praças. Também não teria escondido que durante as guerras se tortura, se mata, se estupra o inimigo, se rouba e, como fez Caxias, se incendeiam hospitais com os doentes dentro.
Somos seres vis. Gostamos do outro desde que o outro faça tudo o que queremos, como queremos e quando queremos. Somo um vírus que leva nossa canalhice, sem que percebamos, nós mesmos, a todos os cantos.
Por sorte temos o carnaval, onde podemos assediar por que é “romântico”, nos embriagar por que é “só hoje”, nos fantasiarmos de ricos, de negros, de índios, de heróis, e voltar na semana seguinte onde nada, ou tudo, continua acontecendo.
Bom dia proceis!

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