sábado, 29 de abril de 2017

Somos todos canalhas.



SOMOS TODOS CANALHAS.
               
                    
                     Não se assustem. Reflitam.
                Sim, a afirmativa é correta. Somos todos canalhas. Nos incomodamos com o trânsito parado, com a longa fila no caixa do supermercado, do banco. Nos deixa completamente irritados o fato desta ou daquela loja não estar aberta. Nos deixa de cabelo em pé o fato de termos que passar por uma multidão de pessoas gritando à nossa volta. Sim, somos uma sociedade de canalhas.  O que não nos incomoda é a corrupção. Sim pois ficamos completamente indignados com o “azulzinho” que nos importuna quando em fila dupla esperando nosso filhinho amado que não pode caminhar muito além do portão da escola (pobrezinho); nos achamos espertos com o troco a mais que não devolvemos; somos tremendamente justos com a empregada a qual não pagamos o salário mínimo, não assinamos carteira e tampouco lhe conferimos os demais direitos, afinal, quem ela pensa que é, já dou emprego, do que mais ela precisaria né?
                Somos canalhas quando a dor do outro pouco me importa, pois que sorte eu tenho de ter nascido aqui, seguro, sem medo, com um colchão para dormir tranquilo depois de beber meu leitinho morno a noite. Somos canalhas quando choramos pelo pobre cachorrinho abandonado, de costas para quem dorme na rua, para quem esta à margem, afinal, nós não estamos lá, somos “pessoas de bem” como dizia o jornalzinho da Ku KLux Klan. Somos canalhas, hipócritas, verdadeiros filhos da puta, quando enxergamos o mal no outro, mas não em nós. Quando a Tv nos diz o que pensar e ficamos felizes com isso, pois nossa zona de conforto não será alterada.
“Baderneiros! Vândalos! Destruindo o patrimônio privado!”
É a isso que nos reduzimos: um patrimônio privado. Engolimos diariamente a falácia que todos temos as mesmas chances, todos temos os mesmos direitos...Onde? Quando? Desde os anos 50 sonhamos em ser Norteamericanos. Sonhamos, temos verdadeiros orgasmos imaginando o modo de vida estadunidense, mas sinto lhes informar, eles não nos querem lá, nem cá. Sonhamos em ter seus “herois” no quintal de casa. E já os tivemos, e nem percebemos, ou fazemos de conta que não percebemos. Lembram 64? Lembram 2016? Pois é.
Somos todos canalhas, pois repetidamente elegemos pessoas tão canalhas como nós. Nos permitimos acreditar que o liberalismo econômico, que visa o lucro, e tão somente o lucro, será bom para nós, que não somos empresários, pois fomos convencidos que só nos cabe trabalhar, trabalhar e trabalhar. Enquanto isso, em outros cantos do mundo, onde já reina, mesmo que de forma singela, a empatia, já se sabe que o ser humano é mais importante que a máquina, ainda que máquina humana. E essas pessoas que elegemos não estão nem ai para nós, pois só tem em mente o próprio lucro, o próprio bem estar. E por que as elegemos? Porque também pensamos assim. Primeiro “eu”, depois “eu”. E isso se reflete em casa também: “eu mando”, “eu quero”, “eu posso”, “isso é meu”.
Sinto lhes informar mas canalhas não mudam canalhas. E não adianta igreja, templo, centro espírita, terreiro, seja lá o que for. Canalhas não mudam canalhas. “Deus te abençoe, mas a mim primeiro.”
E esta mesma sociedade canalha cria meios para se manter. Quer exemplo melhor que homens pobres, com pouca instrução, com salário miserável e parcelado, atacando gente pobre, também com salário miserável e parcelado, para defender justamente quem lhe mantém miserável? É surreal, mas é verdade. E se cria toda uma atmosfera de “poder” para convencer estes pobres e miseráveis atacantes de que estão fazendo o certo. Todo um ritual de passagem, de transformação, lhes dão roupa especial, estrelas, divisas, treinamento 9ainda que muito básico, pois também é perigoso lhes manter muito bem treinados, vá que comecem a pensar por si) e armas...ai sim, estão completamente convencidos de que são “Os escolhidos”, salário, justiça, empatia, nada importa, pois são a lei e a ordem. Não comem bem, não vivem, quase não vêem a família...se suicidam...mas são a lei e a ordem. Lei e ordem para garantir e proteger quem?
E a canalhice se repete em todos os setores. A sociedade dita moderna cria até termos novos para manter a ralé (ou seja, nós) conformados. O trabalhador se tornou o colaborador, o associado, sim pois quem colabora ou se associa não reclama, se sente parte do todo. Mentira. Mentira. Ilusão. Esse mesmo colaborador, este mesmo associado, é substituído como uma peça que não serve mais quando não interessa mais ao sistema de canalhas mundiais ou locais.
“Tapinhas nas costas” continuam sendo o gesto preferido dos canalhas, pois dá uma idéia de proximidade, mas não de contato, não de proximidade. Quantos abraços tu já recebeste,  e de quem? Comecem a prestar atenção. E dentre estes abraços quando te deram a sensação de afago e quantos te deram a idéia de distanciamento, frieza? São os canalhas, que simulam até as sensações, mas não conseguem disfarçar diante de um espectador atento.
Precisamos nos “descanalhizar”, todos os dias, como o alcoólatra, um dia de cada vez. Aprender a sentir a dor do outro. A ver que o melhor pra mim, se não for o melhor para todos, não é o melhor. Deixar de lado o próprio umbigo, sair da nossa concha.
Bom dia a todos. A canalhice que há em mim,saúda a canalhice que há em ti.


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