quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Coisas Estranhas Acontecem


Coisas estranhas acontecem quando estamos felizes. Coisas inexplicáveis mesmo. Por exemplo, ontem pela manhã enquanto minhas mulher vinha quieta e um tanto sérias após uma manhã cansativa de aulas, eu vinha dirigindo ao lado dela fazendo vozinhas engraçadas (ao menos para mim), tipo “Fredie Mercury prateado” do programa de tv. E não parou por ai, a noite quando ia para o plantão do curso onde leciono, cruzei à frente de um motoqueiro (embora estivesse beeeeem distante dele) ele buzinou como se eu tivesse avançado arriscando algum acidente, qual foi minha reação:
  1. Abaixei o vidro e xinguei o cidadão que não soube onde se meter.
  2. Me encolhi no banco pois ele podia vir e me bater.
  3. Nada, pois o que vem de baixo não me atinge.
  4. Olhei para ele coloquei a língua pra fora e fiz uma careta.
Acertou quem apostou na opção 4...sim, eu fiz isso. Algo inimaginável para uma pessoa que passava os dias de terno há alguns anos. Impensável para quem ficava frente a frente com juízes e promotores.
E o que motiva essa felicidade inexplicável, onde até a falta de dinheiro, embora estressante, tem o seu “que” de romantismo? O que leva a pessoa decide, aparentemente sem qualquer razão, aprender acordes de violão com o filho de 09 anos, que também está aprendendo, para o desespero dos tímpanos da esposa (a mesma que teve que aturar as vozinhas engraçadas)? Crise dos 40? Tenho 41. Senilidade precoce? Não tenho histórico familiar. Drogas? Nem pensar. Sem qualquer possibilidade. Nem as permitidas.
Lhes respondo o motivo de tamanha felicidade. Simples. Ter encontrado aos 41 anos a vocação, fazer finalmente o que se gosta, após 12 anos de desilusão profissional. Lecionar é conhecer pessoas, é partilhar sonhos, esperanças e desejos. Dar aulas para uma turma de 100, 60, 30 ou 02 alunos é simplesmente FANTÁSTICO. E não importa se são crianças, adolescentes, adultos ou pessoas com mais idade que tu, os sonhos afloram nos rostos a cada descoberta, a cada conhecimento que é partilhado. Sim partilhado pois nossa função não é mais de único detentor do conhecimento, mas sim um partilhador, alguém que auxilia, que conduz, que norteia o caminho do aluno para que ele, a partir do que já conhece, descobrir o mundo novo.
Não há incentivo? Não há valorização? Não, não há. Mas mesmo assim as faculdades de licenciatura ainda recebem alunos, muitos não tem a intensão de continuar no curso e mesmo lecionar. Mas ao primeiro contato com as turmas, com os estágios, mudam de ideia e seguem a carreira da docência...por que? Justamente pelo fato de que sonhos, ideais, gente, convívio e carinho contagiam, eu até diria que viciam. A relação aluno x professor tem tudo para ser mágica, mesmo com aqueles que nos deixam loucos diariamente, pois o desafio de conquista-los nos motiva a estudar, a buscar mais e mais formas de trazê-los para o nosso mundo.
Sempre fui um viciado em aprender e ensinar, até hoje não sei explicar o que me desviou do caminho das licenciaturas (até suspeito, mas isso é assunto para outra crônica). Domingo passado, no aulão do Desafio, e ontem no plantão como o grupo de professores, tive uma sensação tão boa e indescritível, que não tive alternativa além de partilhar com todos aqueles que esta crônica alcançar.
Com a proximidade do ENEM seria interessante se cada candidato fizesse uma reflexão sobre o curso que irá escolher futuramente. Se pergunte se é isso mesmo que se quer fazer, se não se está apenas correndo atrás de um dinheiro que não virá, pois só se tem sucesso fazendo o que se gosta. Se pode manter a aparência de felicidade e realização, se pode manter a emoção da formatura na cabeça, mas não no espírito, não no coração. O dinheiro que se ganha infeliz nunca é suficiente, já o que se ganha feliz, por pouco que seja, nos é suficiente e, por vezes, até sobra. As dificuldades que se enfrente fazendo o que não se gosta são um saco; as que surgem fazendo aquilo para o que se tem a real vocação são desafios impulsionadores; o cansaço que se sente ao final do dia de um trabalho qualquer é destruidor, estressante, nos adoece; já o cansaço deste trabalho que falo, é recompensador, é uma forma de aliviar toda a tensão de quaisquer outros problemas que venhamos a ter.
E qual é a dica do tio Jefferson para todas essas crianças (de todas as idades) que farão o ENEM pensando em suas futuras carreiras? Não abandonem seu sonhos, não corram pura e simplesmente atrás do dinheiro, mas sim da felicidade profissional, pois o resto vem junto. E tenham certeza que, de certa forma, estas felicidades, a felicidade está ai dentro de ti, esperando se encontrar com essa outra felicidade que está fora ainda, vão se juntar e tua vida será uma fonte de realizações e de sucessos diários. Ou seja, nunca é tarde.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Protestos x vândalos x governos



Acabei de ouvir o governador Geraldo Alkimin falar, em tom sério e com ares de gravidade e preocupação, que os responsáveis, pelos atos de vandalismo em São Paulo, os hoje chamados de “mascarados” serão identificados e responsabilizados...Impossível não parar para pensar, ao menos para os que praticam ainda este ato, nestes “responsáveis” que serão identificados, os mascarados como já disse.
Meu peito encheu-se de responsabilidade cívica (isso é lá do tempo da Moral e Cívica e OSPB nas escolas) e decidi tentar ajudar o nosso tão empenhado e tristonho governador de São Paulo a realizar tão árdua tarefa. Comecemos pelo início, como diria o bom e velho dito popular.
Houve um certo Caminha, cuja alcunha era Pero Vaz que ao término de uma carta para “El Rey” (sim com “y”) pede: “E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro -- o que d'Ela receberei em muita mercê.” Trazendo para estas terras recentemente descobertas o “favor”, o “jeitinho” português, o tão conhecido “uma mão lava a outra e as duas lavam o rosto”. Isto sem falar em todos os que desfrutaram da “hospitalidade” indígena que é relatada em vários trechos e para todos os gostos.
Depois, avançando no tempo, temos os mais diversos desbravadores, em sua maioria degredados, que vieram para o Brasil, não que todos fossem de má índole, mas a tentativa de escravizar os índios (que quando caçados os filhos eram deixados no mato para as onças comerem). Sim nossos heróis desbravadores, os Bandeirantes (claro também eram assassinos covardes, estupradores, e ladrões – isso lembra Legião).
Mais alguns passinhos no tempo e chegamos à questão da escravidão dos africanos no Brasil, não podemos deixar de lembrar que o Brasil foi o último país a abolir a escravidão, que manteve o tráfico por muitos anos após sua proibição, e também que primeiro o governo imperial desonerou os fazendeiros, libertando crianças e velhos, que ao invés de fonte de trabalho eram de despesa, para somente em 1888, libertar os escravos sem qualquer direito a indenização, remuneração, moradia, NADA. Nossa tão comemorada Princesa Isabel e seu “papi” D. Pedro II e sua declaração da abolição que, nas entrelinhas, diz mais ou menos assim: “Estão livres, agora se vira neguinho!”.  Ou seja, a primeira governante (ou quase isso) a fomentar o desenvolvimento das favelas (as pejorativas, não as chiques de hoje).
Outro evento importante para a solução, captura e identificação dos responsáveis foram as eras Vargas (agora serei apedrejado em praça pública). O Pai dos Pobre (e mãe dos ricos); criou os direito trabalhistas (para trabalhadores que não tinham direito algum); nazista do fã clube do Hitler e do Mussolini; criador do PTB (e do PSD também). Talvez nosso presidente nanico e gaúcho tenha inaugurado abertamente a frase “Ele roubou mais fez!”, ou será que foi um ex-prefeito aqui de Pelotas? Fica a dúvida. O término dos seus governos terminou como todos sabem, com um tiro na cabeça não se sabe se por vergonha do que estava sendo descobertos sobre sua pessoa, ou se por medo de enfrentar o futuro. Que descanse em paz!
Em seguida (“em seguida” em termos históricos por favor) temos 64 e a quadrilha fardada toma o poder, ai melhor nem comentar: corrupção, favorecimento, tortura, perseguição, censura, assassinatos, e por ai vai...foram 19 anos...vindo a agonizar o regime quadrilheiro com o atentado no Rio Centro (lembram? Não vocês são muito novos para lembrar disso!).
Viva! Democracia! Tancredo morreu, veio o José Ribamar, hoje imortal e sultão do Ribamarquistão (ou Sarneiquistão, como dizem alguns, o lugar onde outrora era o estado do Maranhão) com suas ideias mirabolantes, e o jeitinho, a corrupção, os desmandos comendo solto pelo país. Não deu certo! Outra “salvação da lavoura”, o Marajá das Alagoas, o caçador de corruptos, o rei do visual, o carateca do século o “duela a quien duela” Fernando Afonso. Era a salvação, quase uma “Menina Superpoderosa”, forte, alto (alguns dizem que também era bonito)...inaugurou o impechment no Brasil. Sem comentários.
Asumiu o Itamar com seu ministro FHC, o Plano Real, ai as coisas começaram a entrar nos eixos. O FHC virou presidente, o Real continuou dando certo, veio o Luis Ignácio, o real também continuo na mesma, a economia numa boa (isso é gíria velha), veio a Dilma, manteve tudo na mesma, o Real, sempre o Real...pena que nenhum deles se lembrou que continuavam alimentando a corrupção, dando “papinha” para os “bebês” de Brasilia, esqueceram que a saúde, a educação, a infraestrutura, tudo isso precisa de algo além do que um Plano Real. Alguns esquerdas assumiram o poder neste meio tempo pós-ditadura ,mas mantiveram os mesmo discursos de seus antecessores, fossem eles de centro ou abertamente de direita. Um certo governante chegou ao cúmulo de assinar um projeto de lei e não cumpri-lo quando tornou-se governador (né Tarso?).
E no rastro dessa situação onde não se sabe mais o que é quem, pois governo e oposição só separam-se em vésperas de eleição (como está acontecendo agora), surgiram novas-velhas esquerdas, com a mesma conversa das esquerdar anteriores, tirando coelhos da cartola, tornando tudo fácil como qualquer vertente político-partidária faz enquanto não chega ao poder.
Ou seja, acho que consegui ajudar o governador de São Paulo. Para se buscar, descobrir, responsabilizar a todos os que praticaram os atos de vandalismo basta prender, ou chamar para “averiguação” Caminha, vulgo Pero Vaz; alguns líderes Bandeirantes (sugiro os que fundaram São Paulo); a Isabel, outrora princesa e seu pai Pedro II; o baixinho (não da Xuxa mas de Hitler e Mussolini) G. Vargas – inclusive é nome de bairro aqui em Pelotas;  os fardados de 64 à década de 80 – alguns estiveram e estão em Brasilia ainda; Sua Majestade o Sultão do Ribamarquistão (esse pode deixar para mais tarde pois é imortal); Sua Majestade o Marajá das Alagoas; a dupla sertaneja Itamar e FH; e, por fim, mas não menos importante, os irmãos siameses Luis e Dilma.

Pronto! Facinho, facinho. E nem máscara eles usam.