quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


Os vírus voltam....
                Pois é...podem acreditar. Quando todos nós que vivemos o final dos anos 90 e primeira década dos 2000 pensávamos que os mortos não iriam se levantar dos túmulos, como nos diziam alguns gurus e malucos em geral, vem a notícia de que “É o tchan!” vai voltar. E não se iludam, não vai ser só para uma “comemoraçãozinha” de “seilaquantosanos” não...eles vão tentar ficar, vão tentar entrar nos nossos ouvidos e cérebros como fizeram antes. Eles chegam de mansinho como se fosse um resfriado, é incômodo mas se aguenta, e vão se instalando no corpo todo.
                Começa sempre pelo nariz, como uma coriza vai perturbando, causando barulhos estranhos que quase não controlamos (frunnqs, ahrrgs e cofcofs são comuns). Logo em seguida nossa garganta e cordas vocais ficam irritadas com o cantarolar quase que incontrolável de refrãos grudentos e pegajosos, que são repetidos quase que em coro pelas ruas, ou seja, o contagio a nível municipal está consolidado. Espalhar pelo país e pelo mundo é uma questão de tempo.
                Em um segundo estágio a infecção toma conta do corpo, as pessoas se remexem como se fossem lagartixas em um frigideira quente, sozinhas, em duplas ou em bando, em um frenesi quase que incontrolável e altamente contagiante, pois o contado visual da cara e do sorriso bobo que a pessoa estampa quando dança..errr..quero dizer, quando se remexe como lagartixa, é altamente irresistível. O remexer e rebolar de regiões do corpo, em especial dos glúteos, atinge a homens e mulheres indiscriminadamente...em uma profusão de corpos suados, contagiados pela música, digo, pelos ruídos ensurdecedores e frase e sílabas repetidas e que jamais, eu disse jamais, saem da cabeça das pessoas...AAAAli babá/....AAAAAli babá/.
                “Alá ralando o tchan/, ai/, Ála ralando o tchan/, Habib...”ops...
                E a infecção continua a se alastrar...toma conta do país, do mundo, sim pois os músicos, quer dizer, o agente infeccioso, não resiste a ir a todos os lugares possíveis, sim pois o comportamento comum dos vírus é sempre procurar mais e mais hospedeiros...”Amarra o tchan,/ segura o tchan, tchan, tchan, tchan...”
                A partir do estágio final da infecção a pessoa não consegue mais dizer coisas com coisas...”É o tchan no Havai/ toca esse pandeiro/ toca a mão no couro...”não domina mais suas ideias sem que venham em sua mente os acordes maravilhosos... digo, o som ensurdecedor...”o califa tá de olho no decote dela/ o califa ta de olho no peitinho dela/....”a escrita se torna quase inteligível, os textos perdem a coerência, a coesão... “Pau que nasce tooorto, nunca se endireita/ menina que requebra/ mãe pega na cabeça...”e a música, digo, a melodia ,quer dizer, o som maravilhoso, o ritmo...não o vírus...sempre vence...amarra o tchan, segura o tchan, tchan, tchan, tchan tchan....

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